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ESG Pulse no LACTE21: Declaração de Belém na prática e o padrão global de sustentabilidade

No segundo dia do LACTE21, a ESG Pulse, no papel de Secretaria Técnica, realizou o workshop “Declaração de Belém na prática: Seu evento e sua empresa estão prontos para o padrão global?”, aprofundando a aplicação prática dos conceitos debatidos no painel anterior.

A sessão apresentou a plataforma da Declaração de Belém e demonstrou como profissionais e empresas podem iniciar a jornada de capacitação ESG — de forma gratuita, estruturada e alinhada a padrões internacionais.

O movimento que nasceu da COP30

Hélio Brito Jr., fundador da ESG Pulse, contextualizou a origem da Declaração. “Eu fui convidado para fazer um painel de turismo sustentável na COP30, agora em Belém. A partir daí, resolvi articular um movimento necessário no setor, que estamos chamando de Declaração de Belém para o Turismo Sustentável, onde convidamos as maiores associações do nosso mercado para participar“, explicou o especialista.

O movimento reúne entidades como FOHB, ALAGEV, AMPRO, Skål, MPI Brasil, entre outras, com objetivo claro: elevar o padrão de sustentabilidade da indústria do turismo brasileiro para atrair mais eventos internacionais.

O desafio brasileiro no cenário global

O Brasil recebeu 9 milhões de visitantes. […]. Punta Cana, que é uma única cidade, recebeu a mesma quantidade. Torre Eiffel recebe 100 milhões. O Brasil, o turismo brasileiro, ainda tem muito potencial para o cenário global. E o cenário global está muito mais maduro do que o Brasil em termos de ESG, em termos de território“, explicou Hélio.

O fundador trouxe um exemplo que ilustra o potencial de desenvolvimento local ainda não explorado. “A gente vai para Morro de São Paulo e vê lixo jogado na rua, vê que não tem saneamento básico, vê que a pousada fica feliz de oferecer um amenity da L’Occitane e não tem nada que impulsione a economia local. Então, ele compra uma geleia no mercado de Salvador, em vez de produzir uma geleia aqui, no sitiozinho que o cara plantou a frura“, contextualizou o CEO da ESG Pulse.

Esse exemplo evidencia como a falta de articulação entre empreendimentos turísticos e produtores locais desperdiça oportunidades de geração de renda, fortalecimento da economia regional e criação de experiências autênticas para os visitantes. Quando hotéis e pousadas compram de grandes centros em vez de desenvolver fornecedores locais, perdem a chance de transformar turismo em vetor de desenvolvimento territorial — exatamente o que a Declaração de Belém busca organizar.

A ferramenta: simulados gratuitos

A Declaração de Belém criou uma plataforma com 18 simulados específicos para diferentes categorias do setor — de hotelaria a cenografia, de transporte a alimentos e bebidas. O objetivo é letrar o mercado e disseminar boas práticas de forma acessível, reconhecendo o que já é feito corretamente e orientando o que pode começar a ser implementado.

Criamos um portal, e dentro desse portal, qualquer profissional vai ter acesso gratuito à jornada de capacitação através de simulados. Então, vamos supor, eu sou de uma agência, eu quero fazer o simulado do que é ESG para o universo de uma agência, para o universo da hotelaria, para o universo da cenografia, para o universo de equipamentos“, detalhou Hélio.

A lógica pedagógica é simples e familiar, conforme detalha o próprio profissional. “Criamos os simulados das certificações que a gente tem na ESG Pulse e uma jornada mais simples, onde a pessoa interage. Pegamos a ideia do vestibular, a ideia do Enem, comum para todo brasileiro, que é: vamos fazer um simulado para aprender“, enfatizou durante o painel.

Baseado em normas internacionais

Johanna Bakhuizen, da ESG Pulse, reforçou que os questionários foram construídos com base em múltiplas normas internacionais. “Estamos baseados em várias normas. GSTC, ISO, ABNT, União Europeia, todas essas normas englobadas nessas perguntas. Só que a gente traduziu para o setor. Então fica muito mais fácil vocês entenderem.

Esse alinhamento responde à pressão regulatória crescente. A União Europeia já exige que cadeias de fornecedores comprovem práticas ESG — e empresas brasileiras que atendem mercados internacionais precisam se adequar.

Comunicação com responsabilidade: combate ao greenwashing

Um dos pilares centrais da Declaração de Belém é estabelecer padrão de comunicação responsável sobre práticas ESG, combatendo o greenwashing — prática de comunicar ações sustentáveis sem comprovação ou de forma que induz o público ao erro sobre o real compromisso ambiental, social e de governança da empresa.

A Europa criou uma normativa que fala o seguinte: você só pode falar de sustentabilidade, impacto social, ambiental ou de governança se você está sendo verificado, se você tem uma rastreabilidade dessa informação onde qualquer pessoa possa consultar para ver que é verdade aquilo que você está falando“, ilustrou Hélio, trazendo o contexto regulatório europeu.

A Declaração de Belém estrutura esse princípio para o mercado brasileiro. Não se trata de impedir comunicação sobre ESG, mas de garantir que ela seja fundamentada em dados rastreáveis, processos verificáveis e abrangência sistêmica — não apenas em ações isoladas.

O greenwashing causa muito mal. Você pega um hotel que é extremamente mentiroso, que fala que faz tudo e não faz nada, e pega um hotel que faz tudo. Como que o consumidor vai saber quem está falando a verdade e quem está falando mentira?“, questionou Hélio, reforçando a necessidade de padrões verificáveis que protejam tanto consumidores quanto empresas comprometidas de fato com sustentabilidade.

Impacto sistêmico, não pontual

O workshop deixou evidente que ESG não pode ser tratado como ação isolada ou como iniciativa de marketing somente. Trata-se de uma lógica operacional que atravessa toda a cadeia de valor — do fornecedor de alimentos ao planejamento logístico de uma convenção.

Quando um destino turístico importa praticamente todos os seus insumos de centros de abastecimento distantes, amplia emissões, encarece a operação e deixa de estimular a economia local. Ao priorizar produtores da própria região, reduz-se o transporte, fortalece-se a comunidade e cria-se um ciclo virtuoso de desenvolvimento territorial. O impacto deixa de ser simbólico e passa a ser estrutural.

O mesmo raciocínio se aplica à logística aérea de eventos corporativos. Escolher rotas e aeronaves apenas pelo menor preço ignora variáveis ambientais relevantes. Modelos mais eficientes, com menor emissão de carbono, já estão disponíveis no mercado e influenciam diretamente o inventário final do evento. ESG, nesse contexto, é decisão estratégica integrada — não um detalhe periférico.

Custo ou investimento?

Um dos mitos mais recorrentes no setor é o de que implementar práticas ESG necessariamente encarece a operação. A experiência prática demonstra o contrário: grande parte das adequações está relacionada a ajustes de processo, revisão de fornecedores e melhoria de eficiência.

Certificações, por exemplo, não representam valores proibitivos quando comparadas ao porte das operações que atendem. Mais do que uma despesa, elas funcionam como ferramenta de posicionamento e gestão de risco. Empresas certificadas escolhem quais compromissos assumem, organizam suas prioridades e constroem vantagem competitiva no médio e longo prazo.

Além disso, a antecipação às exigências regulatórias reduz custos futuros. Cadeias internacionais já demandam comprovação de emissões, rastreabilidade e transparência. Quem se adapta agora evita desembolsos maiores com compensações emergenciais e correções tardias. Nesse sentido, o maior risco financeiro está na inércia.

Objetivo ambicioso e necessário

A Declaração de Belém nasce com uma meta clara: elevar o padrão de sustentabilidade da indústria do turismo brasileira e reposicionar o país no cenário internacional de eventos.

O Brasil já ocupa espaço relevante no fluxo global de visitantes, mas ainda carece de maturidade sistêmica em ESG quando comparado a destinos que lideram a agenda internacional. Fortalecer práticas sustentáveis não é apenas questão reputacional — é estratégia de competitividade.

O setor de turismo e eventos movimenta milhões de profissionais e representa parcela significativa do PIB. Direcionar essa força econômica para um método estruturado de atuação, com parâmetros claros e metas compartilhadas, cria efeito multiplicador. O impacto ultrapassa empresas individuais e alcança cadeias produtivas inteiras. A ambição é grande, mas proporcional ao tamanho da responsabilidade do setor.

Próximos passos da Declaração

O movimento prevê coletas de dados periódicas para formar a base de um observatório setorial. “Colhendo dados de todas essas entidades, de cada associado, a gente consegue formar estratégia para estruturação  de políticas nacionais“, explicou Hélio.A plataforma já está disponível em seu endereço oficial, oferecendo acesso gratuito aos simulados e jornadas de capacitação.

LACTE21: aprendizados que ficam

Os dois dias de participação da ESG Pulse no LACTE21 consolidaram uma mensagem clara: sustentabilidade no setor de eventos exige transição do discurso para sistemas estruturados, com métricas verificáveis e compromisso real.

Greenwashing é risco de negócio, não apenas questão ética. Certificações geram retorno financeiro via eficiência operacional. Governança orienta tudo. E o mercado já está cobrando — empresas que se prepararem agora estarão posicionadas para capturar oportunidades.

A Declaração de Belém oferece um caminho prático e gratuito para essa transformação. Resta ao setor abraçar o movimento.

Acesse a plataforma da Declaração de Belém e inicie sua jornada ESG: declaracaodebelem.tur.br

Conheça mais sobre a certificação ESG Pulse em esgpulse.global

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